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Opinião
Sábado, 24 de Agosto de 2019, 12h:30
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Balada de meia idade

Por Marcelo Harger*

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Era uma noite de sábado. Há tempos não saía sozinho. As crianças e a esposa ficaram em casa. Estava livre como nos tempos de solteiro. Eis que encontro o Luís. Ele estava na mesma situação.

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Marcelo Harger


Começamos a papear e uma moça sorridente veio nos atender. Perguntou, com a maior simpatia, o que gostaríamos. Fizemos o pedido e o papo continuou. Falamos sobre há quanto tempo não encontrávamos um amigo na noite.


Comentei acerca das danceterias em que íamos, e ele prontamente corrigiu dizendo que agora se fala balada. Balada então disse eu. Segundo ele, danceteria é coisa de velho. Pelo menos não falei em discoteca, ou seria discoteque? Sei lá, mas o fato é que íamos nelas, e nas domingueiras.


Bateu o saudosismo. Eram bons tempos. Lembramos as aprontadas de cada um, e das bagunças com os amigos. Concordamos que era bom rezar pedindo que nossos filhos nunca façam coisas parecidas.


Não vou escrever o que fazíamos por medo de levar um puxão de orelha dos meus pais. Pais são pais e pouco importa a idade que temos. O temor reverencial sempre subsiste.


Tampouco quero dar ideias aos meus filhos. Eles ainda não leem, mas um dia aprenderão. Como filhos de advogado, certamente usariam as tolices que fiz como argumentos para escaparem de qualquer bronca.


Seria difícil explicar que tudo era diferente. As coisas mais simples. Joinville era menor. Todos se conheciam. As pessoas eram mais tolerantes. Nem mesmo se usava cinto de segurança ou capacete. Outros tempos.


A menina trouxe o que pedimos e nos encaminhamos para realizar o pagamento. Conversamos um pouco mais na fila para o caixa. Dois caixas livres. Cada um fez o pagamento e pontuou o seu cartão de fidelidade. Percebemos surpresos que ambos os cartões tinham milhares de pontos.


Despedimo-nos dizendo que precisávamos nos encontrar uma hora dessas em um churrasco ou em um happy hour. Afinal de contas, encontrar os amigos na farmácia no sábado à noite é algo depressivo, especialmente quando vemos que a pontuação do cartão fidelidade é maior do que o saldo bancário.

 

 

*Marcelo Harger
Advogado em Joinville, graduado em Direito pela Universidade Federal do Paraná, pós-graduado em processo civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Mestre e Doutor em Direito do Estado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, ex conselheiro do Conselho Estadual de Contribuintes de Santa Catarina, ex Coordenador do Curso de Pós-Graduação em Direito Administrativo e Gestão Pública do Complexo de Ensino Superior de Santa Catarina - CESUSC, foi professor em diversos cursos de graduação, pós-graduação e extensão universitária, membro do Instituto de Direito Administrativo de Santa Catarina – IDASC, autor de diversos artigos científicos publicados nas principais revistas jurídicas do país, autor do livro “Os consórcios públicos na lei n° 11.107/05”, do livro “Princípios Constitucionais do Processo Administrativo”, do livro “Improbidade Administrativa: Comentários à lei n⁰ 8429/92”, coordenador do livro “Curso de Direito Administrativo”, coautor dos livros: “ICMS/SC - Regulamento anotado”, “Direito Tributário Constitucional”,  “Princípios Constitucionais e Direitos Fundamentais”, “O direito ambiental e os desafios da contemporaneidade”, “Processo Administrativo Temas Polêmicos da Lei 9.784/99” e “Filosofia do Direito contemporâneo”.

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