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Sábado, 23 de Maio de 2020, 13h:31
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10 atitudes que podemos ter para combater a cultura do estupro

Por Viviane Vaz*

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Caracterizada por um ambiente em que prevalece a violação, onde a violência sexual é normalizada e desculpada na mídia e na cultura popular, a cultura do estupro é representada por uma crença que livra o autor do estupro e transforma a vítima em réu de questionamentos sobre seu comportamento. As possíveis consequências para as vítimas da violência sexual são: Sequelas físicas (marcas, dores, DST), Dificuldades de ligação afetiva, Dependência química, Autoestima fragilizada, Autoimagem distorcida, Intenção de suicídio, Condutas agressivas, Doenças psiquiátricas, Insônia ou sono perturbado e Sentimento de culpa, medo, raiva, vergonha.

Divulgação

Viviane Vaz - Artigo

Viviane Vaz


Segundo o Datafolha (2016) cerca de 1,4 milhão de brasileiras foram espancadas no ano de 2016 e 1% delas levou, no mínimo, um tiro. Para mudar esse quadro, sugerimos 10 atitudes para combater a cultura do estupro:

1.    Evite o uso de falas que denigram a mulher;
Brincadeiras sobre a mulher e as suas partes intimas, insinuações pejorativas, “cantadas” ou elogios que tenham tons abusivos, trazendo um papel puramente mercantil para a mulher, ou sugerindo que sejam pessoas com menor valor na sociedade.
2.    Nunca atribua culpa à vítima;
Ao questionar que roupa ela estava, que lugar ela estava, ou o tipo de conduta, não justificam um ato violento ou libidinoso sem a vontade da mulher. Em muitas situações de estupro as vitimas foram questionadas quanto a índole da pessoa sobrevivente, ao invés de questionar o ato de violência em si. Toda pessoa que sofreu algum tipo de abuso por si só já se sente culpada, essa é uma característica do abuso, se uma culpa internalizada é reafirmada a vitima passa a ter consequências mais drásticas.
3.    Posicione-se diante de uma piada ofensiva ou de uma violação trivial;
quando você ri ou se cala pode estar reforçando essa cultura.
4.    Diante de um relato de violência, seja solidário;

Jamais minimize a dor de alguém, o que pra você parece pequeno e insignificante para a vitima pode ser determinante para desistir de viver.
5.    Pense criticamente nas mensagens da mídia sobre mulheres, homens, relacionamentos e violência;
6.    Seja respeitoso com o espaço físico dos outros, mesmo em situações casuais;

peça ajuda caso alguém esteja sofrendo assédio.
7.    Estabeleça uma comunicação saudável com parceiros sexuais baseada em respeito mútuo e consentimento plenos; você tem o direito de dizer sim ou não para o uso do seu corpo;
8.    Respeite o tempo que cada um leva para definir o momento e a forma de sua iniciação sexual; é preciso quebrar os tabus da virgindade ainda existentes, muitos casos de estupro acontecem por causa dessas crenças de que meninos e meninas tem uma idade determinada para estar virgem ou não. O tempo e o corpo é seu e você determina isso.
9.    Proteja os direitos dos menores de 14 anos diante de qualquer ato libidinoso, visto que é considerado estupro de vulnerável; os tempos mudaram sim mas, as consequências de um ato libidinoso para o menor de 14 anos não mudaram, essas consequências podem amputar a infância.
10.    Se você tem filhos, ensine-os a respeitar seu próprio corpo e o corpo do outro. Converse sobre o que é privacidade e intimidade, atente para o tempo e a hora certa de usar determinados termos. (logo iremos dar dicas sobre essa  forma e tempo de falar sobre sexualidade com seu filho)

 

Se você foi vítima de alguma violência, seja ela verbal, moral, psicológica, física ou sexual, denuncie!!

•    Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência)
•    Disque 100 (Disque Direitos Humanos – visa atender especialmente as populações consideradas de alta vulnerabilidade, como crianças e adolescentes, pessoas idosas, pessoas com deficiência, LGBT, pessoas em situação de rua, quilombolas, ciganos, índios e pessoas em privação de liberdade).
•    Aplicativo “Proteja Brasil” (http://www.protejabrasil.com.br/br/ – é possível fazer denúncias direto pelo aplicativo, localizar os órgãos de proteção nas principais capitais e ainda se informar sobre as diferentes violações).

 

 

*Viviane Vaz
Psicanalista, Missiologa, Escritora,
autora do Livro “Infância Amputada – o cuidado de sobreviventes da violência sexual e prostituição”
Coordenadora do Projeto NOVA
vivi.vaz@gmail.com

 

 

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